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Action figures de Star Trek que marcaram os anos 2000

A década de 2000 foi um período de transição para os colecionadores de Star Trek. A franquia chegava às lojas depois do encerramento de Star Trek: Voyager e de Star Trek: Enterprise, enquanto o cinema preparava uma nova fase para a tripulação da USS Enterprise. Ao mesmo tempo, o mercado de bonecos articulados começava a valorizar acabamento, escultura detalhada e acessórios compatíveis com linhas de maior escala.

Nesse cenário, a Playmates Toys perdeu espaço gradualmente, e a Art Asylum passou a chamar a atenção com figuras de sete polegadas, mais sofisticadas e próximas do padrão que muitos fãs esperavam. Mais tarde, a Diamond Select Toys assumiu um papel central, expandindo personagens, veículos e dioramas ligados ao universo televisivo e cinematográfico.

Os lançamentos daquele período não formaram uma linha perfeitamente contínua. Houve intervalos, mudanças de fabricante, séries distribuídas em quantidades diferentes e produtos voltados tanto para lojas especializadas quanto para grandes varejistas. Essa irregularidade ajuda a explicar por que algumas figuras se tornaram comuns, enquanto outras desapareceram rapidamente das prateleiras.

Para quem revisita hoje esse acervo, os action figures de Star Trek dos anos 2000 representam mais do que brinquedos licenciados. Eles registram a evolução da cultura de colecionismo, a força de personagens clássicos e a tentativa da indústria de transformar uniformes, alienígenas, capitães e naves em peças de exposição com identidade própria.

A passagem da Playmates para a Art Asylum

A Playmates foi a grande responsável por popularizar figuras de Star Trek durante os anos 1990. Sua produção alcançou personagens de The Next Generation, Deep Space Nine, Voyager, The Original Series e dos filmes, criando uma base ampla para crianças e colecionadores. As peças geralmente tinham escala próxima de quatro a cinco polegadas e eram reconhecidas pela quantidade de personagens e pela presença de acessórios.

Nos primeiros anos da década seguinte, a empresa ainda colocou produtos no mercado, mas a percepção dos fãs já apontava para uma mudança. A escultura facial, a proporção corporal e a articulação passaram a ser avaliadas com critérios mais exigentes. O público adulto queria figuras que pudessem ficar em uma estante ao lado de estátuas, maquetes e itens importados de outras franquias.

A Art Asylum respondeu a essa expectativa com uma abordagem mais autoral. Seus bonecos tinham aproximadamente sete polegadas, maior número de pontos de articulação e atenção especial aos uniformes. Em vez de tentar cobrir todo o elenco de uma série, a empresa frequentemente concentrava esforços em personagens de maior apelo, oferecendo versões mais cuidadas de Kirk, Spock, Picard e outros nomes conhecidos.

Essa mudança também alterou a forma de expor a coleção. As figuras maiores ocupavam mais espaço, mas permitiam poses mais expressivas e melhor leitura dos detalhes. Mãos intercambiáveis, phasers, tricorders e comunicadores ajudavam a reproduzir cenas reconhecíveis, enquanto os rostos esculpidos procuravam se aproximar dos atores sem abandonar o estilo próprio da linha.

O retorno aos personagens clássicos

Star Trek: The Original Series foi uma das principais fontes de inspiração para os lançamentos da Art Asylum. A tripulação clássica continuava presente em convenções, relançamentos em DVD e produtos comemorativos, e a fabricante percebeu que existia um público disposto a pagar mais por representações cuidadosas de James T. Kirk, Spock, Leonard McCoy, Scotty, Uhura, Sulu e Chekov.

As figuras da ponte da Enterprise ganharam relevância porque funcionavam individualmente e em conjunto. Um Spock bem esculpido podia ser o destaque de uma prateleira, mas a reunião de vários oficiais criava uma pequena cena do seriado. Esse aspecto incentivava compras sucessivas e valorizava os personagens secundários, algo importante em uma franquia sustentada pela dinâmica de equipe.

A linha também explorou versões associadas aos filmes e a momentos específicos da produção televisiva. Uniformes diferentes, acessórios atualizados e pequenas alterações de pintura distinguiam uma edição de outra. Para o colecionador, essas variações não eram simples repetições: elas permitiam reconstruir fases distintas da história da tripulação.

O interesse por essa formação clássica se manteve forte porque os personagens tinham silhuetas e cores muito reconhecíveis. O dourado de Kirk, o azul de Spock e McCoy e o vermelho dos oficiais de operações criavam uma composição visual imediata. Mesmo em uma estante cheia de super-heróis, uma equipe de Starfleet era facilmente identificada.

As séries televisivas e a busca por variedade

A Art Asylum e, depois, a Diamond Select Toys também olharam para Star Trek: Enterprise. A série apresentava uma fase anterior à Federação dos Planetas, com uniformes mais utilitários e uma estética de exploração espacial que combinava bem com figuras articuladas. Jonathan Archer, T’Pol, Trip Tucker e outros integrantes da tripulação apareceram em produtos direcionados a fãs da produção.

A presença de Enterprise ajudava a manter a franquia atualizada em um período no qual as séries mais antigas já haviam encerrado suas exibições originais. Ainda assim, a aceitação comercial não foi uniforme. Alguns personagens tinham distribuição limitada, e determinadas peças chegaram principalmente a lojas especializadas, tornando-se menos acessíveis para quem comprava apenas em grandes redes.

Deep Space Nine e The Next Generation também continuaram presentes, embora com ritmos diferentes. Picard, Data, Worf e outros personagens de TNG eram escolhas naturalmente fortes, enquanto a estação espacial e os oficiais de DS9 ofereciam oportunidades para ampliar o universo com figuras de aparência mais variada, incluindo Klingons, Ferengi e outras espécies.

Esse repertório alienígena era um dos diferenciais de Star Trek em relação a muitas linhas de ficção científica. O colecionador podia montar uma tripulação, uma reunião diplomática ou um confronto entre espécies. A variedade de rostos, uniformes e acessórios dava mais possibilidades narrativas às figuras, mesmo quando o produto era comprado apenas como peça decorativa.

Também havia uma preocupação com a memória visual de cada série. O formato das insígnias, a cor dos uniformes e o desenho dos comunicadores precisavam corresponder ao período representado. Pequenos erros de pintura podiam ser percebidos rapidamente pelos fãs, que conheciam os episódios e comparavam os produtos com fotografias promocionais e cenas da televisão.

A Diamond Select Toys e a expansão do universo

A Diamond Select Toys consolidou sua presença na segunda metade da década. A empresa já era conhecida por trabalhar com propriedades de cultura pop e investiu em produtos que combinavam action figures, veículos e peças de cenário. Em Star Trek, essa estratégia resultou em figuras de sete polegadas, dioramas e versões especiais destinadas ao mercado de colecionadores.

Um dos atrativos da Diamond Select era a possibilidade de produzir elementos que iam além do personagem isolado. A ponte da Enterprise, por exemplo, podia ser dividida em módulos para que o comprador montasse uma cena maior ao adquirir diferentes itens. Esse tipo de proposta estimulava a continuidade da coleção e transformava a estante em uma representação visual do universo da série.

As naves também tinham um papel importante. A Enterprise, em suas diferentes encarnações, era um dos objetos mais desejados pelos fãs. Dependendo do modelo, havia luzes, sons, partes móveis e detalhes internos. O tamanho e o preço variavam, mas a ideia permanecia a mesma: oferecer uma peça central capaz de organizar a exposição ao redor das figuras.

A Diamond Select procurou equilibrar nostalgia e acabamento contemporâneo. Personagens clássicos recebiam novas esculturas, enquanto personagens de filmes e séries menos exploradas ganhavam espaço em edições de distribuição mais seletiva. Para acompanhar informações sobre equipamentos, exploração e preparação que dialogam com o imaginário de aventura espacial, alguns fãs também consultavam recursos de sobrevivência como parte desse interesse mais amplo por ficção científica e exploração.

No fim da década, a marca já era associada a uma abordagem mais adulta do licenciamento. As embalagens, as bases e os acessórios indicavam que o público principal não era apenas infantil. A figura podia ser manuseada, mas seu destino mais comum era a exposição, ao lado de revistas, DVDs, pôsteres e outros itens de memorabilia.

O impacto do filme de 2009

O filme Star Trek, dirigido por J. J. Abrams e lançado em 2009, trouxe uma nova oportunidade para os produtos licenciados. A produção reimaginava a juventude de Kirk, Spock e da tripulação clássica, apresentando novos intérpretes, novos uniformes e uma estética mais dinâmica. Para a indústria de brinquedos, isso significava uma porta de entrada para espectadores que não tinham familiaridade com as séries anteriores.

As figuras baseadas no longa precisavam se diferenciar das versões tradicionais. Os uniformes tinham acabamento mais moderno, os rostos reproduziam Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban e os demais atores, e os acessórios acompanhavam a linguagem visual do filme. A escala, a articulação e a embalagem também procuravam disputar espaço com linhas contemporâneas de ação.

A nova produção ampliou a visibilidade da franquia, mas não apagou as versões clássicas. Muitos colecionadores passaram a comparar as duas interpretações da equipe: a formação original, ligada à memória televisiva, e a versão alternativa apresentada pelo cinema. Essa coexistência tornou as prateleiras mais diversas e evidenciou como uma mesma propriedade podia sustentar estilos de design diferentes.

Os produtos de 2009 também mostram os limites do mercado de Star Trek naquele momento. Nem todos os personagens receberam o mesmo tratamento, algumas figuras tiveram distribuição irregular e certos itens se tornaram difíceis de encontrar pouco tempo depois do lançamento. A disponibilidade dependia do país, da loja e do volume produzido, fatores que hoje influenciam diretamente o preço no mercado secundário.

Para o colecionador brasileiro, essa dificuldade era ainda maior. Grande parte dos produtos chegava por importadores independentes, lojas especializadas e encomendas internacionais. Fóruns, encontros e comunidades de fãs ajudavam a localizar peças, identificar variantes e comparar preços. A circulação dessas informações contribuiu para fortalecer uma memória coletiva sobre os lançamentos e suas trajetórias.

Revisitar os bonecos da década de 2000 também é observar a passagem de um produto infantil para um objeto de coleção. A escultura dos rostos, a quantidade de articulações, a fidelidade dos acessórios e a escolha dos personagens mostram uma indústria tentando atender a um público cada vez mais informado. As figuras de Kirk, Spock, Picard, Archer, Klingons e oficiais da Frota Estelar carregam o registro de um momento específico do licenciamento de ficção científica.

O período foi marcado por mudanças de fabricantes, linhas interrompidas e experiências de escala variada, mas deixou peças importantes para a história dos colecionáveis. Art Asylum elevou a expectativa de acabamento; Diamond Select ampliou a ideia de exposição com veículos e cenários; e o filme de 2009 apresentou Star Trek a uma nova geração. O que deve ser lembrado é que cada figura daquela década preserva uma etapa da longa viagem da franquia entre a televisão, o cinema e as estantes dos fãs.